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Maiores motivos de conflitos entre famílias e vizinhos

Publicado em: 15/06/2025

Maiores motivos de conflitos entre famílias e vizinhos

Com a família, conflitos por dinheiro, heranças e bens são campeões. Já entre vizinhos, as maiores disputas são por obras e o uso indevido das áreas comuns. Esses dados foram revelados por uma pesquisa feita pelo Laboratório de Pesquisa da área de Humanas da Universidade Vila Velha (UVV) em parceria com o jornal A Tribuna. “Era esperado que o dinheiro fosse uma das principais razões para conflitos entre familiares. Normalmente, a questão mais difícil de lidar é a financeira”, analisa o coordenador da pesquisa, o professor da UVV Fabrício Azevedo.

A pesquisa mostra também que a maioria dos conflitos familiares ocorre com parentes da chamada “família estendida”: padrasto ou madrasta (34,8%), cunhado(a), sogro(a), genro ou nora (33,8%). Conflitos com pais, mães e filhos apareceram menos.

“Como a maioria dos entrevistados é universitário, eles podem ter associado a palavra ‘conflito’ a algo mais sério. Brigas com pai ou mãe podem ter sido vistas apenas como discussões corriqueiras”.

Na maioria dos casos (60,3%), os conflitos são resolvidos em um ano e, segundo as respostas, sempre são resolvidos. “Por mais que tenha o conflito, entre os familiares ele é solucionado. Já entre os vizinhos, a pesquisa mostrou que não”. Entre as possibilidades, explica, está a falta de contato imediato e de vontade.

Síndica profissional, Aline Moraes confirma que obras estão entre os principais incômodos entre vizinhos, assim como barulho.

“Cada um tem o seu bom senso, então, ele não se aplica nos condomínios. É questão de respeitar as regras do espaço e conhecer o regimento interno, assim como você faria no trânsito”.

Por outro lado, há exemplos de convivência harmoniosa. É o caso da consultora de treinamento e gestão de pessoas Suzana Carneiro. “Somos um grupo bem unido e integrado aqui no prédio. Temos poucos conflitos. Nós viajamos juntos duas vezes por ano, fizemos até uma camisa para participar do Roda de Boteco e vamos sair em uma van do prédio”.

Tudo começou quando ela se mudou, teve uma pneumonia com derrame pleural e os vizinhos a acolheram.

“Alguns ficaram comigo no hospital. Quando voltei, comecei a organizar churrasco, festa junina e tentar integrar mais o grupo. Funcionou”.

Confusão por uso de carro elétrico

Barulho e uso indevido das áreas comuns continuam no topo da lista de reclamações entre vizinhos. Mas síndicos relatam que motivos mais recentes têm ganhado espaço, como o uso de carros elétricos, o home office e a locação por aplicativos.

Presidente do Sindicato Patronal de Condomínios Residenciais, Comerciais, Mistos e Empresas de Administração de Condomínios do Espírito Santo (SIPCES), Gedaias Freire aponta o carro elétrico como um novo gerador de tensão. “Muita gente tem medo por não haver ainda uma norma específica do Corpo de Bombeiros. É uma questão de segurança”.

A falta de segurança também é a razão da locação de imóveis por plataformas digitais estar causando estranhamento entre moradores. “Gera insegurança. Os moradores não sabem quem está entrando e saindo”, explica Gedaias.

A realidade do home office póspandemia é outro desafio. Segundo Aline Moraes, síndica profissional que administra mais de 15 condomínios, houve um aumento nas queixas.

“Obras geralmente são permitidas das 8h às 17h, mas muita gente passou a trabalhar de casa e se incomoda com o barulho. O problema é que, estando dentro do horário, não há como impedir”.

Dificuldade de diálogo é principal causa de brigas

A pesquisa da Universidade Vila Velha (UVV) em parceria com o jornal A Tribuna revelou ainda que todo mundo já teve um conflito com um familiar (100%) e com um vizinho (100%). Na origem das desavenças está a comunicação, revela a psicóloga Naira Araújo.

“A dificuldade de diálogo provoca brigas tanto entre vizinhos quanto entre familiares”.

Segundo ela, um dos principais fatores por trás desses desentendimentos é o choque de gerações. “Cada geração carrega valores diferentes, moldados pelas condições da época. Antigamente, o acesso à informação, à comunicação e ao consumo era limitado, e as pessoas aprendiam a lidar com a vida de forma mais difícil”.

Com o tempo, esse cenário mudou. O acesso facilitado transformou as relações humanas – inclusive a forma de se comunicar e de se relacionar. “Muitas vezes, não conseguem dialogar de forma clara porque, por assim dizer, falam línguas diferentes”.

A psicóloga observa um aumento do distanciamento social e dos distúrbios de saúde mental, em grande parte originados pela inabilidade de estabelecer diálogos significativos nas famílias.

Destaca ainda que o problema é agravado pelo uso excessivo da tecnologia. “A dependência de telas e redes sociais prejudica ainda mais a comunicação”.

Entre vizinhos, os conflitos podem crescer a ponto de gerar inimizades e até agressões. “É comum, mas não deve ser considerado normal”.

A maioria das pessoas (56,4%) recorre ao síndico para resolver conflito, segundo a pesquisa da UVV. Em 27,2% dos casos, a prefeitura foi acionada. E em 12,1%, a polícia precisou ser chamada.

Aline Moraes, síndica profissional, conta que há conflitos simples que podem ser resolvidos por meio da comunicação. Em um momento, conta, convocou dois moradores de um condomínio em Vila Velha para conversar.

“Teve um caso em que um morador reclamava de um barulho recorrente. Chamamos os dois para conversar e descobrimos que o ruído era o arrastar das cadeiras pelas crianças na hora do jantar. Também havia um som de manhã que vinha do socador de alho”, conta.

O conflito, explica a especialista, foi resolvido. O vizinho se comprometeu em colocar feltro nas cadeiras para minimizar o barulho. Já o alho, o outro vizinho entendeu que não havia solução. “Eram duas coisas bem simples que conseguimos resolver com uma reunião”.

CONVÍVIO ENTRE VIZINHOS

1 RESPEITE AS REGRAS
O mais importante é respeitar o espaço do outro – e o espaço comum. Convivência exige consideração: evite barulho excessivo, som alto, uso de substâncias nocivas ou qualquer atitude que invada o bem-estar alheio.

2 AVISE ANTES DE INCOMODAR
Vai fazer uma obra? Dar uma festa? Avise os vizinhos com antecedência. Segundo especialistas, avisar demonstra respeito e evita reações negativas por surpresas desagradáveis.

3 RESPIRE ANTES DE AGIR
Entrou em conflito? Conte até 10 e vá para casa. Espere o dia seguinte antes de tomar qualquer atitude. Evitar o impulso do revide ajuda a manter o equilíbrio e tomar decisões mais sensatas.

4 CONHEÇA AS REGRAS E LEIS
Leia o regimento interno do seu prédio. Ele define normas sobre garagem, obras, mudanças e uso das áreas comuns. Mora em casa? Conheça as leis municipais para evitar surpresas, como uma multa por barulho.

5 PARTICIPE DAS DECISÕES
As regras não caem do céu. Elas são definidas em assembleias. Participar é a forma mais eficaz de propor mudanças e entender o que está acontecendo.

ENTRE FAMILIARES

1 ESTIMULE O DIÁLOGO
A melhor forma de resolver conflitos ainda é a conversa. A comunicação é a principal ferramenta existente para lidar com situações adversas na vida.

2 CONSTRUA UM ESPAÇO SEGURO
Reuniões familiares com regras claras – sem gritos, acusações ou xingamentos – ajudam a garantir que todos possam se expressar e escutar o outro com respeito.

3 ACEITE AS DIFERENÇAS
Muitos conflitos familiares surgem quando idealizamos o outro e ignoramos quem eles realmente são. Aceitar que cada pessoa tem sua história, visão de mundo e ritmo é essencial para evitar desilusões, cobranças excessivas e críticas constantes.

4 CUIDADO COM O ABANDONO DIGITAL
Muitos pais acabam deixando os filhos “seguros” diante das telas, enquanto se ocupam com outras coisas. Mas isso pode gerar um tipo de abandono.

5 PROCURE UM TERAPEUTA FAMILIAR
Assim como nós adoecemos, as famílias também adoecem. Quando os conflitos se tornam crônicos e dolorosos, é hora de procurar um terapeuta familiar. Algumas feridas são profundas demais para serem resolvidas sozinhas– e isso é normal.

Fonte: A Tribuna

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