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8 mil estão com taxa em atraso

Publicado em: 19/11/2025

8 mil estão com taxa em atraso

Na Grande Vitória, existem cerca de 80 mil condomínios, entre residenciais (a maioria) e comerciais. Desses, aproximadamente 8 mil possuem condôminos inadimplentes.

“A inadimplência se mantém em torno de 10% a 15%, dependendo do condomínio, e alguns chegam a ter inadimplência zero”, afirma o presidente do Sindicato Patronal de Condomínios Residenciais, Comerciais, Mistos e Empresas de Administração de Condomínios do Estado, Gedaias Freire da Costa.

Ele, porém, alerta que o problema ocorre quando o síndico não age rapidamente. “A cobrança tardia, após dois ou três meses de atraso, resulta em um acúmulo de dívidas, que pode comprometer a saúde financeira do condomínio”.

O síndico, como representante legal do condomínio, não pode permitir que a inadimplência se agrave, reforçou o advogado Diovano Rosetti, que atua no ramo imobiliário. “A partir do momento que há uma segunda cota em atraso, é essencial que medidas sejam adotadas, como a notificação formal ao condômino inadimplente e, se necessário, a cobrança extrajudicial ou até mesmo judicial”.

Embora se fale muito sobre o impacto das altas taxas de juros e da Selic nas finanças dos condôminos, Gedaias acredita que essa relação é exagerada. “A Selic está em 15% há bastante tempo, e a previsão é que se mantenha em torno de 14% em 2026. Porém, esse fator, por si só, não impacta diretamente as taxas condominiais”, explica Gedaias.

Para ele, o que realmente afeta o pagamento das taxas condominiais envolve questões como o desemprego em massa e o cenário econômico geral, fatores que, até o momento, não têm sido tão prevalentes na Grande Vitória.

Outro ponto observado por Gedaias é a ideia equivocada de que, quando um morador deixa de pagar a taxa condominial, ele também deixa de arcar com outras contas. “Pelo contrário, muitos inadimplentes continuam mantendo um padrão de vida elevado, com carros novos e viagens anuais, enquanto não regularizam suas dívidas com o condomínio”, destaca.

Já Thiago Brasil, advogado especializado em Direito Imobiliário, complementa que o aumento do custo de vida, que superou o crescimento da renda, resultou no aprofundamento do endividamento das famílias.

Dívida pode lever imóvel até a leilão

A inadimplência nos condomínios cria diversas consequências, como o impedimento do morador de votar e de participar das assembleias, além de cobranças de multas, juros e protestos de nome. Em casos extremos, pode levar à execução judicial do imóvel.

“Nesse caso, o imóvel responde pela dívida, podendo ser penhorado e vendido para quitar o débito”, explicou Thiago Brasil, advogado especializado em Direito Imobiliário.

Para minimizar os impactos da inadimplência, os condomínios têm investido em medidas para reduzir custos e aumentar a eficiência operacional. Entre elas estão o uso de energia solar, a implementação de portaria eletrônica e uma gestão eficiente.

Além disso, estratégias como negociações antecipadas, acordos facilitados, envio de lembretes automáticos e comunicação mais eficiente com os condôminos têm se mostrado eficazes na melhoria da saúde financeira dos condomínios.

Thiago Brasil também mencionou a adoção de um fundo de reserva, a profissionalização da administração e o acompanhamento jurídico preventivo como práticas fundamentais.

Impacto no orçamento

Nos condomínios, a gestão financeira enfrenta variados desafios anuais, que impactam o orçamento dos moradores.

De acordo com Thiago Brasil, advogado especializado em Direito Imobiliário, a situação é agravada pelo aumento dos custos operacionais dos condomínios: manutenção, insumos, energia, folha de pagamento e contratos de serviços como portaria e segurança se tornaram mais caros, o que pressiona o orçamento condominial.

O advogado Diovano Rosetti, que atua no ramo imobiliário, citou exemplos. “Nos condomínios, especialmente aqueles que empregam trabalhadores como porteiros, faxineiras e outros colaboradores, os custos operacionais são constantemente pressionados por aumentos anuais, como os decorrentes do dissídio coletivo da categoria”.

Ele cita ainda outros custos, como contratos de manutenção de elevadores, serviços de água, luz e materiais de consumo, que também sofrem reajustes anuais.

“Esses aumentos são repassados aos condôminos, mas, em muitos casos, os ganhos das famílias não acompanham esse ritmo de crescimento das despesas. Quando há um desequilíbrio nas contas das famílias, a primeira conta a ser deixada de lado é, frequentemente, a cota condominial”.

Fonte: A Tribuna

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